Como ser relevante na universidade

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Deixando as paixões políticas de lado

É notório que na última década o acesso ao ensino superior por parte da juventude menos favorecida da população brasileira cresceu exponencialmente. Os programas sociais de bolsas de estudo existem aos montes e vieram pra ficar. A despeito da discussão política envolvida na questão, gostaria de propor algumas observações para nossa reflexão a respeito deste recente fenômeno sociológico em nosso país, a partir de uma perspectiva cristã.

Receio que discussões como estas caiam em extremismos descabidos devido aos envolvimentos políticos acalorados daqueles que são contra ou a favor das políticas educacionais vigentes na nação. Acredito, portanto, que para a saúde da reflexão os extremos devem ser evitados e um caminho mais ponderado na direção do diálogo cordial deve ser trilhado.

Ponderando o paradoxo

Fato é que não fossem os esforços realizados nos últimos anos pelo Governo Federal, milhares de jovens certamente não estariam hoje nas universidades, agraciados com bolsas integrais ou financiamentos facilitados para o pagamento de seus cursos. Contudo, obviamente, nem tudo são flores. Minha perspectiva nasce de quase 4 anos de observação dentro de uma faculdade particular que trabalha sistematicamente com estes programas de democratização do ensino superior, e a situação é curiosamente paradoxal.

Ao mesmo tempo em que tenho fortes indicativos e exemplos de que as universidades afrouxaram demais as rédeas e que hoje qualquer um entra, faz e sai de um curso superior sem o menor esforço e com o mínimo de aprendizado, também percebo muita gente – alunos, professores, diretores, funcionários – trabalhando duro para fazerem do curso e da instituição onde estão, ferramentas cada vez mais excelentes para o benefício de suas famílias, comunidades e da nação. As duas realidades surpreendentemente se misturam.

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Fato é, também, que a democratização do ensino superior proposta pelo governo, não tem como principal fundamento a rigidez e o critério acadêmico para o processo do aluno dentro da universidade. O que quero dizer é que na prática, essa frouxidão no processo acadêmico resulta em muita gente interessada em estar na faculdade, mas completamente desinteressada no aprendizado de verdade. Muitos são displicentes, indisciplinados, e em boa parte dos cenários, conseguir o diploma sem muitas dores de cabeça não é tarefa das mais árduas, o que acaba, infelizmente, abastecendo a sociedade com um grande número de maus profissionais desprovidos de excelência no que fazem e com caráter duvidoso. O resultado disso para o país é catastrófico, vai desde ineficiência e burocracia desnecessária em pequenas prestações de serviço até os grandes rombos nos cofres públicos do país. Essa maneira de agir é fruto de toda uma cosmovisão inapropriada que, infelizmente, está enraizada no pensamento comum brasileiro.

Contudo, pergunto: isso é uma regra? Todo jovem contemplado por estes programas age assim? Toda reitoria e corpo docente que trabalham inseridos neste contexto são relapsos e negligentes? Claro que não!

Já que a consciência e o critério necessários para o controle do bom andamento dos cursos nem sempre vêm de forma satisfatória das autoridades responsáveis, temos o dever de nos apropriarmos deste desafio e como cidadãos brasileiros, lutarmos para o aprimoramento, solidificação e avanço do ensino superior no Brasil.

Da mesma forma que disse que conheço gente relapsa na condução de suas responsabilidades acadêmicas, conheço muita gente inspiradora. Gente que enfrenta jornada dupla, tripla e ainda assim perde noites de sono para honrar o curso que faz. Gente que frequenta as aulas debaixo de chuva ou de sol, gente que propõe, coopera, soma, gente esforçada que vai a luta, traz dignidade e agrega conhecimento para instituição onde está, para os companheiros de classe, para os professores e para si mesmo. Conheço professores, mestres e doutores que lutaram anos a fio na elaboração de novos cursos que pudessem servir a comunidade de forma melhor e mais inovadora. Histórias maravilhosas de heróis anônimos que nunca figuraram nas capas dos jornais, nem nas telas dos programas de TV, mas que fazem de nosso país um lugar melhor, com mais oportunidades e com mais cultura.

Assumindo responsabilidade

Talvez seja pretensão minha, mas creio que esteja em nossas mãos a decisão de escrever a história da nossa nação no campo da educação. E se a gente escreve uma história bonita no campo da educação, muita coisa muda. Oportunidades são criadas, a ociosidade dá lugar ao empreendedorismo, culturas deformadas são redimidas, escassez e miséria transformam-se em fartura e dignidade, e dessa forma Deus é glorificado. Precisamos, de uma vez por todas, assumir para nós esta missão!

Precisamos acabar com o jeitinho brasileiro, não aquele que é criativo e oportuno, mas aquele que é desonesto e não mede consequências para chegar onde quer. Se você é um jovem que está na universidade, não queira bancar o esperto. Estude de verdade. Isso vai te trazer benefícios imensos pelo resto da vida. Você sairá desta experiência com mais dignidade, sabendo atribuir maior valor às suas conquistas, ao dinheiro e principalmente ao próximo. Lute suas batalhas com honradez, corra atrás de dinheiro limpo e prove, não apenas indo às ruas protestar contra a corrupção, mas com as suas ações no dia a dia como cidadão, que, de fato, você deseja viver e construir um país melhor. Seja Deus conosco no cumprimento de tão nobre missão.  

Que Deus nos alcance!

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