A dolorosa constatação de que realmente nos tornamos adultos

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É, meu amigo, as coisas mudaram. Se você tem entre vinte e vinte e cinco com certeza já teve a sensação que apesar de ter pouca idade sua vida está passando de uma maneira bastante rápida. Sua idade já não lhe permite ser tão irresponsável, mas ao mesmo tempo, você ainda se olha no espelho e não se sente tão maduro para assumir a quantidade enorme de tarefas que tem que fazer, não é? Calma, isso é normal.

Talvez você esteja apenas passando por aquilo que muitos chamam de crise dos 25. Eu, porém, arranjei um nome mais elegante para isso. Prefiro chamar de: A dolorosa constatação de que realmente nos tornamos adultos. E quando isso acontece?

Você percebe que a vida está passando muito rápido

Você olha as fotos de dois, três ou quatro anos atrás e não acredita que realmente a pouco tempo você se vestia, se comportava, pensava e vivia daquele jeito. Você prefere não mais dar ouvidos à moda fútil e tola e insiste em usar aquele velho All star sujo (para o desgosto da sua mãe) e a calça jeans já esfolada pelo tempo que tanto ama. Ter que dividir a responsabilidade de estudar e jogar videogame a tarde toda já não é uma realidade. Começa a encaixotar a coleção de Caprichos para vender em um sebo em troca de outras literaturas. Percebe que seus priminhos mais novos agora já dirigem e até entraram na faculdade. Você começa a dar razão aos seus pais quando eles falavam que deveria aproveitar o máximo a fase do colégio que um dia sentiria falta. E que poderia ter prestado mais atenção nas aulas daquele professor chato ao invés de ignorá-lo. Os efeitos do  tempo começam a dar evidencias mais claras, mas você ainda não está desesperado.

Você percebe que os relacionamentos mudaram

Você deixa de acreditar que todo mundo vai mudar por você, percebe que os amigos de outra época não vão mais ligar para saber como tem sido a sua semana. Começa a deixar pra lá esse papo de que no momento certo vai aparecer um amor de verdade, e amadurece para entender que a gente escolhe mesmo com quem vamos ficar. Você começa a acreditar que o amor é um lucro considerável. Você meio que aprende a lidar com o ciúme, com as crises de choro por motivos bobos, você passa a apreciar a vida compartilhada.

Aprende que seus avós não serão eternos, e que precisa ligar mais para seus pais só pra saber como eles estão, que seus amigos de faculdade eram apenas companheiros de balada, mas que os verdadeiros amigos continuam com a gente. Aprende que não é porque todos seus amigos estão casando que você é completamente sozinho. Se você namora a tempos, começa a achar que precisa realmente dar passos importantes em seu relacionamento, que seu namoro de muitos anos precisa sair do lugar comum do tipo “Ou vai ou racha”. Se você não namora, começa a achar que o problema não está no mundo, mas que tem algo de errado em você e concluiu que os dois são verdades.

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Você percebe que seu corpo já não é o mesmo

O aparecimento de um ou dois fios de cabelos brancos não chegam a preocupar, mas deixam você com a sensação de que já não é mais um adolescente que via Malhação aos finais de tarde. Malhar não é mais um hobby, agora é necessidade. O velho futebol que antes era só prazer, agora é sua solução para evitar o avanço da barriguinha. Aprende a administrar as gordurinhas fora do lugar e compra mais roupas que não as deixe evidente. O relacionamento entre seu estômago e as comidas que come já não é o mesmo. Começa a gastar mais com comida de qualidade e menos com porcarias cotidianas. O cardápio dos lugares te deixa confuso.

Você percebe que seus hábitos evoluíram

Você ainda ama maquiagens, mas agora com a diferença que sabe realmente se maquiar. Os meninos aprendem que cerveja não é tudo igual e até tem uma que é a sua predileta. A luta pela constante aprovação de todos já não é mais seu objetivo, agora você só quer ganhar uma grana e pagar suas próprias contas. Seus gostos começam a ser mais claros, já não consegue mais ouvir aquelas músicas sem letra e ritmo alguma, o seus filmes passam a ser mais sérios, mais reais, mais concretos, os lugares onde frequenta já não são tão cheios e abarrocados de gente, agora você prefere menos barulho e mais papo cabeça. Quando se lembra da primeira vez que fez algo, percebe mesmo que aquilo foi uma coisa realmente sem juízo, mas que foi importante a lição que teve. Você começa a notar que o cartão de crédito pode qualquer hora te fazer falir. E passa a ter mais compaixão pelos moradores de rua, artista de rua, e meninos no sinaleiro.

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Você percebe que fingir já não é mais vantajoso

O trabalho começa a ficar menos interessante e tudo que você pensa é em pegar uma mala e carimbar o passaporte para um lugar que só via nos canais fechados da TV. Você já não se importa mais com as mudanças. Precisará fazer muitas coisas que realmente não gostaria nem um pouco de fazer, mas que apesar da obrigatoriedade, você protesta e opina sobre tudo e todos. Você se cobra porque nota que fez muitos planos, mas fez pouco demais para atingi-los.

Bem, não precisa se preocupar, se for somatizar a quantidade de coisas que viveu, vai ter a impressão que de a vida está  caminhando para um declínio preocupante, mas que ela está apenas começando e que tem muito ainda pela frente a ser vivido. Muitas pessoas vão passar, tantas emoções vão chegar, muitas decepções para esquecer, mas que realmente os melhores anos da sua vida você realmente aproveitou da melhor maneira possível. No final, a gente aprende que a vida é realmente o melhor presente que Deus nos deu e a melhor coisa que poderia nos ter acontecido ainda que você exclame pelos cantos que não pediu para nascer.

Este texto é parte do acervo do Casal do Blog.