A mulher da minha vida

É justamente porque eu encontrei a mulher da minha vida que eu deveria preocupar-me ainda mais em preservá-la e honrá-la. Trata-se de uma questão de inteligência, obediência e generosidade. Foi o apóstolo Paulo, na carta aos Efésios, quem disse: “o homem que ama sua mulher ama a si mesmo”. Quanta sabedoria! Seria correto, então, reivindicar sexo antes de provar para mim mesmo e para ela que, de fato, eu a amo e estou preparado para assumi-la em todos os aspectos da vida — emocional, espiritual, social e financeiro — diante de Deus e dos homens em uma aliança de amor firmada pelo resto da nossa existência? Como é? Eu usufruo dos privilégios e na hora dos compromissos pulo fora? Que cara de pau é essa?

Se eu ainda não encontrei a mulher da minha vida nem assumi compromisso algum com ninguém como descrito acima, biblicamente não tenho o direito de usufruir do corpo de mulher alguma por mero desejo sexual. O sexo é um dos momentos mais íntimos e especiais da vida de uma mulher. Não é certo que uma pessoa qualquer destrua esse momento e todo seu significado simplesmente pelo prazer egoísta de uma transa descomprometida. Esse senso de irresponsabilidade para com a pessoa do próximo e o desprezo pela sacralidade do corpo feminino têm feito estragos enormes e deixado marcas profundas no subconsciente da geração atual. Não podemos separar o sexo de todo o restante das implicações de uma relação entre homem e mulher.

Estou correndo o risco de logo na minha estreia aqui no MVC ser taxado de conservador, retrógrado, santarrão e afins, mas a causa vale a pena. Estão contando uma mentira para nossa juventude. Estão vendendo uma satisfação que nunca entregarão. Estão comprometendo a visão de mundo de toda uma geração. Não estou falando aqui de um puritanismo infundado que não tem razão de ser, estou denunciando uma promessa mentirosa de relacionamento que nunca vai se cumprir. Hoje vivemos um tempo em que a conquista está em baixa. O frio na barriga, a espera, a troca de olhares, o toque singelo das mãos, a contemplação da beleza simples da mulher em cada um dos seus traços e gestos inebriantes, a conversa desajeitada, o andar de mãos dadas, os sorrisos acanhados do início, as descobertas, tudo isso tem se perdido de forma trágica, infelizmente. Hoje, por qualquer migalha, meninas estão expondo seus corpos em redes sociais e entregando sua intimidade a qualquer um que lhes faça ou prometa quaisquer tipos de banalidades, pensando assim, que terão visibilidade e tornar-se-ão melhores do que são. Ledo engano. Curtidas não definem quem você é. Quantidade de parceiros ou ficantes, tampouco.

É importante deixar claro que tudo que eu disse relacionado com os transtornos praticados contra o corpo feminino acontece também contra o corpo masculino, porém, em menor escala. A mulher ainda é muito mais visada e desejada por sua aparência física do que homem. No entanto, isso não significa que a contrapartida inexista e não deva ser acompanhada e combatida de igual modo.

Mulheres são seres maravilhosos que merecem amor, honra, carinho, cuidado, respeito e dignidade. O sistema que aí está tem trabalhado incansavelmente pela desvalorização da mulher e por sua coisificação. Meu alerta é para que sejamos fortes e andemos na contramão desse movimento que destrói a essência feminina. Que a mulher descubra dia após dia que seu valor está muito além da exposição barata de suas curvas e que, no tempo certo, ela se sinta desejada e cortejada de maneira respeitosa e amorosa, não pelo que ela tem ou pelas formas de seu corpo, mas pelo que ela é e pela beleza de sua alma. Mulheres, não deem os privilégios de uma esposa a meninos que não querem cumprir os deveres de um marido.

Que Deus nos alcance!