De janeiro a janeiro

Esta semana estava conversando com uma pessoa que irá completar vinte cinco anos de casado. Ele me contava, com empolgação, como conheceu a esposa, o que teve de abrir mão para viver esse amor, falou-me sobre os filhos e os planos para o futuro ao lado dela.

Para quem ainda vai fazer seis anos de casado, como eu, foi muito empolgante ouvi-lo; ainda mais sabendo que ele, um grande empresário do estado, reconhecido mundialmente na sua profissão, respeitado e admirado por homens e mulheres, e que não é evangélico, tem certeza absoluta do amor que sente pela esposa e que quer passar o resto da vida ao lado dela, sendo só dela.

Nossa! No mundo de hoje, onde tudo é descartável, de fato, é inspirador uma história como a dele, a qual se espelha na história dos pais, hoje com 78 anos de idade e mais de 50 de casados.

A ideia do desapega, de descartar o que não serve mais, foi muito além do que deveria ser, pois as pessoas estão se desapegando de pessoas, e trocando como se troca de celular, roupa, carro, etc… aliás, tem muito marido que ama mais o carro do que a própria esposa. Tem esposa que ama muito mais os seus sapatos do que o próprio marido.

Lembro-me dos costumes de minha avó, que guardava um monte de coisas em casa. Ela não desapegava, ela mantinha de um alfinete há uma máquina de costura antiga. Minha avó, assim como minha mãe, foram fiéis aos seus esposos e o que as separaram deles foi a morte.

Falando em morte, como é fácil se desapegar das palavras que juramos no altar: “até que a morte nos separe”. Que morte? A morte do meu desejo? A morte da minha satisfação?

É interessante o quanto tem aumentando o número de divórcios e de casamentos. As pessoas gostam de se casar, talvez porque já se casam tendo em mente que, se não der certo, podem se separar a qualquer momento.

E a igreja tem entrado nessa onda, muitos casais cristãos têm se divorciados em busca da felicidade, contrariando o que Deus fala através do profeta Malaquias: “Eu odeio o divórcio” (Ml 2:16) e de Jesus: “Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”. (Mt 19:6).

Essa busca universal pela felicidade é que é o grande problema, pois em Efésios somos ensinados a nos amar como Cristo amou a igreja, morrendo por ela. Se Cristo tivesse buscado a sua felicidade, naquele dia no Getsêmani ele tinha chutado o balde, ou melhor, chutado o cálice, deixado essa história de morrer na cruz de lado e iria viver feliz ao lado de quem ele amava, mas não foi isso que ele fez. Em obediência ao Pai ele amou a igreja até o fim, e com isso nos ensina a amar nossa esposa/esposo até o fim.

Pense antes de chegar ao altar. Estar apaixonado não é o suficiente, conheça os defeitos do outro, descubra qual a relação de amor que ele/ela tem com Deus. Não case porque você quer fazer sexo, o propósito não pode ser cama, o propósito não é a sua satisfação.

Homens, não alimentem apenas as necessidade físicas, alimente as emoções da sua esposa e principalmente, seja o cabeça espiritual do seu lar, conduza sua família a Cristo.

Contrario aqui a famosa canção do Djavan – Oceano: “Vem me fazer feliz porque eu te amo”. Como assim? vem me fazer feliz porque (condição) eu te amo? O amor deve ser incondicional, sem esperar nada em troca, como Paulo nos ensina em 1 coríntios 13:5: “…o amor não procura os seus interesses…”

Eu desafio você a contrariar o mundo, contrariar as estatísticas, contrariar a superficialidade das coisas, a banalidade das relações, o descontentamento com o amor verdadeiro e eterno.

E contrariando isso tudo, encerro o texto com um trecho da canção de Roberta Campos e interpretada por Nando Reis, a qual foi o título desse post.

Mas talvez, você não entenda,
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar