Desculpa, casamos e… somos felizes!

Já fui drasticamente enganado. Aliás, quem ainda acha que não foi, talvez deva se atentar a isso e repensar no que acabou de ler. É serio. Por algum motivo, nos disseram que juventude é o momento de resistir ao tradicional e escalar a montanha do emocionalismo intenso em busca de aventuras relacionais intermináveis.

Todos os que de alguma maneira procuram ter relacionamentos duradouros e fixos parecem não pertencer mais ao mundo dos normais. Os olhos se esbugalham nas rodas de conversas entre os jovens cada vez que alguém revela querer pertencer a alguém exclusivamente. É quase como se aquele que escolheu se comprometer com o outro seja menos evoluído ou mais atrasado que os demais.

Na verdade, criaram uma ilusão na gente que no topo da montanha dos relacionamentos “mais moderninhos” havia um prêmio chamado independência. O truque é velho, mas a gente ainda continua acreditando que ser livre é estar sozinho ou com mais de um companheiro.

O casamento tem de ser vivo, não só porque o seu fundamento, ou seja, o amor, é feito essencialmente de liberdade, mas porque vivo pressupõe um movimento. Quem pensa que casamento é engessar a vida é porque resolveu encarar o seu egoismo, mas prefere chamar autonomia de liberdade, pois assim o conceito é mais fino e sofisticado. Para eles, liberdade é oposto de comprometimento.

O contraditório dessa história toda reside também no fato de que o medo de não estar livre, nos algema com a pressuposta liberdade que defendemos.  Alguns de nós, não nos damos direito de vivenciar as experiências a dois porque a nossa (suposta) liberdade nos prendeu a medo sutil. De tanto não querer perder a liberdade, perdeu a vida.

O interessante é que combater as ideias do casamento tradicional parece ter virado uma tradição entre seus oponentes.  Já virou tradição rebelar-se contra a tradição. Irônico não?

Entendo por outro lado, que nem todos se acomodam com a ideia do matrimônio. O casamento não é a salvação para a solidão ou para uma vida infeliz. Este engano também não pode ser cometido. Aliás, se olharmos para a história vamos observar uma série de episódios que relatam a vida de pessoas que casaram-se e permaneceram infelizes até a sua morte.

Minha boca é tentada a bocejar quando meus ouvidos constatam alguém promovendo a ideia de que o casamento é apenas um contrato social sem significado algum. No entanto, não poderia ignorar que casamento pode dar bastante errado sim.

Os famosos “tetos de guerras” acontecem sempre em famílias onde o egoismo perdura. Talvez o que os oponentes do casamento não admitam é que não estão afim de entregar-se ao outro. Para amar é preciso recolher-se algumas vezes. Talvez a experiência ruim no relacionamento é devido a incapacidade de abrir espaço para o outro ser.

O mito de que o casamento é feito pela falta de liberdade é o que  mais nos impede de encontrar-se com alguém e descobrir-se parte completa do outro. Talvez seja hora de avançar neste pensamento. Só existe um jeito de amar: Amando.

Tem jeito melhor de ser feliz?

Este texto faz parte do projeto Casal do Blog, Curta!