Expulse o amor de você!

Em 1 Coríntios 13, o apóstolo Paulo nos fala de um amor paciente, bondoso, que tudo suporta e nunca perece. Um amor como esse é o que ansiamos, um dia, receber de alguém.

Quando estamos namorando, esperamos que aquela moça ou rapaz seja capaz de oferecer esse tipo de amor, então, envolvidos em uma paixão ardente, levamos nossa vida até a porta da igreja e, lá dentro, na frente de Deus e das testemunhas, trocamos juras de amor eterno.

Mas por que o que é eterno um dia acaba? Por que muitos casais deixam o amor esfriar e um dia percebem que não foram mais feitos um para o outro?

Na antiguidade, os gregos utilizavam três palavras para definir o amor. Há o amor “eros”, que é o amor sexual – o amor “phileo” que é amor de amizade, vivido entre pais e irmãos – e o amor ágape, que é o amor de Deus. Nesse texto Paulo nos apresenta o amor ágape, o mais profundo e sublime dos amores, o amor que fez Cristo se entregar numa cruz por mim e por você.

Quando não vivemos o amor ágape em nosso relacionamento, nos tornamos incapazes de viver o amor verdadeiro, pois nos rendemos ao nosso egoísmo, ciúme, inveja, competição e chegamos ao ponto de achar que o amor acabou, mas não percebemos que nunca amamos de verdade.

Amar de verdade é deixar o ego de lado, abrir mão de suas vontades em favor do outro, assim como Cristo fez, e Paulo nos orienta a fazer do mesmo modo em sua carta aos efésios capítulo 5:

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela”

Não pensem que para Cristo foi fácil se entregar naquela cruz, pois, em certo momento, ele pensou em desistir; em certo momento, Cristo pensou em se divorciar de nós, mas por amor a Deus (amor ágape) ele prossegiu nos amando.

E se você estiver pensando: Ah, citar os ensinos de Paulo não vale, pois o apóstolo nem namorou e nunca foi casado, por isso, eu vou citar um verso de uma canção de um cara que não foi apóstolo, talvez nem conheça Jesus de verdade, mas que já foi casado por vinte anos, se divorciou e, após dez anos de separação, casou novamente com a mesma mulher.

Quem vai dizer tchau! – Nando Reis

“Onde aconteceu? Não sei, onde foi que eu deixei de te amar?
Dentro do quarto só estava eu, dormindo antes de você chegar.
Mas, não foi ontem que eu disse não,  mas quem vai dizer tchau?

A gente não percebe o amor, que se perde aos poucos sem virar carinho
Guardar lá dentro amor não impede, que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar o amor real é expulsá-lo de você pra que ele possa ser de alguém

A letra dessa música diz exatamente o que acontece com muitos casais. O amor vai esfriando, ninguém fala nada, acabam-se as reciprocidades, pois, como queremos ser amados, deixamos de amar e, sem que se perceba, acontece o fim premeditado do amor, mas ninguém sabe quem vai dizer tchau no fim da história.

Vivemos um amor tão egoísta, amando acima de tudo e todos nós mesmos, que não percebemos o tipo de amor que estamos vivendo e, mesmo tendo dito no altar que seria eterno, ele se empedra dentro de nós e não o mostramos para ninguém, aí, o amor se torna irreal, pois enquanto o apóstolo nos diz que o amor é paciente, nos zangamos fácil; enquanto o amor é benigno, desconsideramos o outro e faltamos até com respeito; enquanto o amor não arde em ciúmes, viramos meninos mimados querendo sempre que seja feita nossa vontade; enquanto o amor tudo sofre, por pouquíssimas coisas fazemos uma guerra no lar; enquanto o amor tudo crê, desconfiamos da outra pessoa e enquanto o amor tudo suporta, corremos para um cartório e pedimos a anulação do que era eterno.

O nosso desafio é encarar o relacionamento como uma disciplina de amor a Deus e ao outro.

Olhe para o(a) seu(sua) companheiro(a) e diga todos os dias que o (a) ama. Não só vivam, mas convivam: comam juntos; brinquem juntos; casados, durmam juntos. Expulsem todo o amor que está dentro de vocês para que ele possa ser do outro, para que, ao invés de empedrar dentro de você, ele se torne real!

Posts relacionados

Comentários