Geração Tinder e seus relacionamentos

Creio que o mundo atual está em um momento complicado. As relações sociais se confundem com as virtuais. Isso não é balela de gente atrasada. Tenho 24 anos, trabalho em ambientes virtuais faz alguns anos e sei bem o quanto as redes sociais escondem de nós a verdade das relações.

Estou o dia todo convivendo com os aplicativos, chats e redes sociais. Eu trabalho com isso. E quer saber? Elas estão por toda parte mesmo. Não estamos mais livres delas. Antigamente, as pessoas chegavam em algum lugar e pediam um copo d’agua, hoje o que se pede em primeiro lugar é a senha do wi-fi.

A internet atingiu também os relacionamentos. É um monte de gente que não tem mais coragem de se apresentar, de trocar um assunto olho no olho, não conseguem mais puxar um papo no elevador, ou pedir despretensiosamente o número de telefone do outro.

Isso não te assusta?

Tenho a impressão de que a cada dia que passa as pessoas tendem a se relacionar menos com o olhar e ser mais dependente dos aparelhos eletrônicos. Um bom filme que discute esse assunto e recomendo chama-se “Her” ( 2014).

No meio desse contexto todo, surge o Tinder. O que é Tinder? Bem se você tem entre 14 e 20 anos, você não precisa da minha explicação. Aliás, creio até que você já tenha instalado no seu celular. Agora, caso você esteja próximo dos 30 ou mais talvez nunca nem ouviu falar sobre o assunto.

Bem, o Tinder é um aplicativo para dispositivos móveis que tem como objetivo apresentar pessoas e paquerá-las virtualmente. Bom, o serviço funciona da seguinte maneira: os usuários fazem um cadastro, colocam fotos e criam um perfil. Bem semelhante as outras redes sociais. A partir daí começa o jogo. O aplicativo sugere perfis de pessoas para relacionarem-se (exatamente como produtos em uma vitrine de shopping) segundo a proximidade, o sexo e a idade pré-estabelecida como filtro.

Ao aparecer uma foto com as informações do seu pretendente, você pode dar um sinal positivo no caso de se interessar por ela ou descartar a pessoa caso não goste do que viu e leu. Se ambos se interessarem um pelo outro e derem um “like”, o app abre um chat para os dois conversarem e se conhecerem melhor.

Parece simples, eficaz e funcional, mas na verdade não é nada mais do que a expressão de quão doentio estamos ficando quando o assunto é relacionamento. Não quero nem entrar no mérito do engano em perceber uma pessoa pela sua aparência “vitrinal”, apenas quero discutir a saúde de relacionamentos que começam com “impressões”.

Eu quero te ajudar porque talvez você não saiba que está enredado nisso. Você já percebeu que eu tendencio a ser um tanto vanguardista quando se trata de relacionamentos. Creio que possa existir relações verdadeiras e duradouras que nasceram na internet, mas convenhamos que esse tipo de aplicativo não é a melhor forma de arrumar um companheiro.

O namoro pela Internet pode até dar certo – e eu conheço muita gente que fez dar – mas se não se materializar e amadurecer, será temporário. Com o tempo, será preciso que o relacionamento saia das telas e se torne real. É nesse ponto que talvez venha o susto. Não estamos preparados para a realidade de um relacionamento e por isso preferimos o modelo do descarte rápido.

As pessoas têm todo o direito de se conhecer através da Internet, e utilizar da ferramenta para conhecer outras pessoas, mas sei de gente que não puxa mais assuntos no ônibus, que não faz uma piada no elevador, que não tem a coragem de pedir o número da pessoa para ligar para ela e combinar algo.

Tudo virou virtual! Lamento mesmo que existam pessoas que vivem somente em função desses recursos para buscar relacionarem-se com alguém. Isso, sem dúvida, se tornará problemático, é ilusório e talvez um dos grandes responsáveis pelo mal à saúde sentimental das pessoas. Para falar bem a verdade, esse tipo de coisa já se tornou uma doença bastante preocupante. Não só acho que devemos ter muito cuidado com esse tipo de relacionamento, principalmente pela segurança, mas também porque a virtualidade traz consigo uma série de máscaras que podem confundir nossos sentimentos. Estamos sujeitos as idealizações e nos tornamos reféns dos nossos olhos.

Ofereço aqui um guia para medir o quanto talvez você não saiba que está perdido nos relacionamentos.

Responda sinceramente.

1-  Você confia completamente em alguém que tem um perfil de rede social?

De verdade, não dá para confiar em alguém que se vende como um pedaço de carne no açougue. Eu sei, você vai argumentar que nem todos lá são ruins. E você tem razão, mas sinceramente, você confia?

2 – Quando foi a última vez que paquerou alguém sem ser virtualmente?

Um dos principais problemas que te deixa cego é o fato de colocar na cabeça que não tem capacidade de trocar um lero com a sua paquera. Mas isso não é verdade!

3 – Você tem medo de não achar o seu par?

Muitos relatam que consultam os aplicativos porque não querem ficar sozinhos enquanto um monte de gente tem alguém. E nessa busca desesperada, acaba encontrando na facilidade algo bonito, rápido e mascarado. O seu par tem que ser real.

4 – Você procura um step ou alguém para rodar anos com você?

Step é aquele pneu reserva do carro. Pode até estar fazendo a função principal, mas não está lá para ser o oficial. Muita gente procura nesses apps gente que pode colocar no seu vazio diário, mas que depois de um tempo, não fará mais sentido. Prefira alguém que possa olhar nos olhos para a vida toda.

5 – Você esconde um grande vazio no peito?

Nem todos que procuram os app são pessoas amarguradas sentimentalmente, mas vejo que nesses ambientes, é bastante fácil encontrar gente que só quer saciar-se sem pensar no objetivo daquilo. Isso pode ser um vazio de falta de relacionamentos reais. É perigoso, mas a gente esqueceu disso.

Ainda dá tempo! Corre desse negócio e vai conhecer gente real. Invista em alguém de verdade e duvido que se arrependerá.