O amor dura quando a gente se aventura

Estamos em uma geração esquisita. As pessoas acreditam mesmo que quando entrarem em um relacionamento, vão acabar perdendo a aventura de sua vida particular e que um pedaço precioso dela será sequestrada e arrancada para sempre. Pensam que as aventuras serão ingratas. Sem falar que acreditam estar perdendo um futuro com planos promissores para entrar numa espécie de castração de vontades. Para muitos, o amor se assemelha aquele amigo que apaga a vela do bolo antes de terminar de cantar os parabéns.

Não existe nada pior do que o tédio, a vida a dois não precisa ser monótona.

Esta falsa ideia de que, quando um relacionamento alcança um estágio mais sério as coisas não podem ser mais divertidas, tem tomado a nossa mente e nos deixado enganados. Essas ideais estão por toda parte. Nas músicas que ouvimos sempre tem alguém dizendo que os solteiros são mais livres e soltos, nas novelas os casais são sempre muito complexos e cheios de problemas reais, e até alguns irreais. No cinema, amar é coisa apenas para os adolescentes bobocas que não alcançaram a maturidade, nos livros, o amor é apenas uma utopia inviável aos mortais.

Me parece que a nossa única escolha é viver o presente a todo custo para evitar que os dias fiquem menos toleráveis. A impressão que dá é que todos os envolvidos em qualquer tipo de relação amorosa estão enroscados em uma armadilha e que se não forem espertos o suficiente para se soltar nunca mais poderão ser felizes. Isso não é verdade. Se planejar, viver e experimentar coisas novas é bom demais, imagina fazer isso tudo compartilhando com alguém.

No entanto, quando entramos em uma relação nos sentindo presos ao outro, sem que tenha prazer, sem que sinta-se contente, o sofrimento passa a ser seu salário ingrato. São os relacionamentos perdidos que sobrevivem muitas vezes por conta de serem de uma longa data. Viver assim é completamente monótono. Daí em diante, somente o tempo potencializa o estouro que ferirá a relação para sempre. Ambas as tentativas de minar o relacionamento começam a ser arquitetadas, consciente ou inconscientemente, e são armadas e projetadas para que o fim seja real, mas sem deixar rastros da sua engenhosidade pensada. É neste dia que o prazo de validade da relação se esgotou. É hora de pular fora.

A aventura do amor é necessária

Não, não estou falando de uma viagem juntos em volta ao mundo em um ano, ou aquela excursão para conhecer as dezenas de praias de Santa Catarina, nem mesmo as peripécias de uma vida muito louca e improvável. Estou falando de experimentar o novo sempre com quem se ama.

Eu sei, todo mundo tem direito ao dia improdutivo, sem agenda, sem compromisso. Feriados cozidos no meio da semana. Aquelas noites de pipoca e pijama totalmente comum, ou o final de semana sem qualquer novidade apenas sufocado pelas mantas e chás.

Me refiro aqui as aventuras nas pequenas coisas, são aqueles momentos que te dão a sensação completa de que relacionamento é mesmo real, vivo e verdadeiro, que te lançam para fora da vidinha que todo mundo tem. To falando de emoções ainda não alcançadas, de sentimentos renovados diariamente.

Não espere do outro, comece você a alimentar este sentimento. Inove, surpreenda, seja intenso. Afinal de contas, amar é piegas mesmo. Bom mesmo é cometer loucuras com alguém. Tomar um trem para qualquer lugar com uma mochila cheia de sonhos e realizações e uma ideia fixa: sorrir independente do que aconteça.

Aventura é permitida também nos compromissos. Aventura é quando dura.