O que vem depois?

Estava assistindo um filme estilo conto de fadas esses dias (confesso que gosto). Nem faz diferença citar o nome porque no fim das contas ele segue o mesmo padrão das histórias românticas, onde depois que acontece o tão esperando sim do casamento, ou o beijo mágico entre o príncipe e a princesa, a história acaba no “… e viveram felizes para sempre. Mas é na vida real que a história começa de verdade, longe dos holofotes e do glamour, mas com toda a realidade que só duas pessoas decididas a se amarem por toda a vida podem suportar.

Conheço pessoas que já casaram com a idéia de que se não der certo se separa, e falaram isso em alto e bom som, não é a toa que ao passar pela primeira dose de realidade (chamada cotidiano) decidam se separar mesmo, afinal de contas numa sociedade onde tudo é descartável e substituível, as pessoas acabam agindo da mesma forma com as relações. Quebrou? Deu defeito? Joga fora. Consertar pra quê? Compra um novinho e assim que se tornar obsoleto, troca de novo. Que absurda inversão de valores. Estão confusos com o significado de amor. Defini-lo realmente não é fácil, usamos adjetivos e comparações para o fazê-lo, e achamos mais fácil associá-lo a sentimentos ao invés de atitudes, mas uma coisa eu aprendi sobre o amor, ele não é um frio na barriga, um coração acelerado, sinos tocando ao redor e brilho nos olhos. Tudo isso parece ser bem romântico, mas não amor de verdade.

No final de novembro fez seis anos que me casei com Wilson, e nesse tempo tenho aprendido um pouco mais sobre o amor. O casamento é mesmo um ambiente excelente para praticá-lo, bem como a tolerância, a paciência, a abnegação, confiança, auto-aceitação e coisas semelhantes, mas também é um espaço onde facilmente escorregamos em nosso orgulho, ira, mentira, ciúmes e intolerância, a verdade é que o casamento é capaz de extrair aquilo que temos de melhor e também o que temos de pior, é na intimidade e na segurança de uma relação a dois que nossas máscaras caem e assumimos nosso verdadeiro eu.

É bom porque quando temos um cônjuge que é ao mesmo tempo amante, cúmplice e melhor amigo não temos medo de assumir nossos defeitos, pois sabemos que continuaremos sendo amados mesmo com falhas, e isso nos liberta para crescer e amadurecer enquanto seres humanos, mas é ruim porque aquele que está ao nosso lado geralmente é o que mais sofre com nossas indelicadezas e fraquezas de caráter. Digo isso sem medo porque enquanto todos ao meu redor dizem: Puxa Cida, você é uma pessoa tão calma, paciente e amável; olho para meu marido e o vejo me encarando com um risinho discreto nos lábios. Ele bem sabe como são meus dias de TPM.

Quando vejo aquelas histórias de casais que morreram velhinhos com horas ou apenas minutos de diferença, sonho para mim é meu marido, na condição de eu ser a primeira a partir pra não sofrer a ausência dele nenhum minuto sequer (até nisso sou egoísta), mas mesmo que não seja dessa forma, quero viver cada minuto que tenho ao lado dele e assim terminar meus dias sabendo que o amei da melhor forma possível, pois me sinto amada da melhor forma possível também.

Meu marido adora perguntar a casais mais velhos os segredos para um casamento duradouro, e as respostas são variadas, mas acabam se resumindo em abrir mão de suas vontades em prol do outro, não querer estar sempre com a razão, trancar seu orgulho no armário e jogar a chave fora, enfim, tolerância paciência e uma boa dose de “ouvido de mercador”, sei que pode não parecer muito romântico, mas é a vida real e acredite ou não, isso é ser feliz, isso é amor, bem mais do que os filmes românticos que assistimos e que nos fazem acreditar que o amor é cor de rosa e tem gosto de algodão doce, e que acabam por fazer muitos apaixonados deixarem oportunidades passarem por esperar o príncipe ou a princesa que talvez nunca chegue, pelo menos não com todo o glamour dos filmes românticos.

O amor é sofredor, ele é paciente e bom, não busca seus próprios interesses, mas o do outro, isso é realidade, é casamento real, é amor real entre pessoas reais.

Amor é também passar a noite acordada cuidando dele quando está doente, e tremer só de pensar em perdê-lo, é sentir sua dor, é se chatear quando ele esquece o dia dos namorados, data de aniversário de casamento, data de aniversário, e ficar feliz quando ele simplesmente te presenteia sem nenhum motivo aparente, é ficar com raiva quando ele não faz a declaração de amor no facebook numa data especial, mas é se derreter de amores quando ele te tira pra dançar no corredor de sua casa sem nenhuma musica tocando. É se empolgar ao falar das qualidades do outro mesmo sabendo de todos os dele, afinal de contas aquilo que ele tem de bom, supera e muito suas deficiências, e é isso que importa. É no meio de uma discussão fervorosa se arrepender de ter casado e logo em seguida se arrepender de ter pensado semelhante besteira, afinal de contas a vida não seria a mesma sem ele. Estar casado é cumplicidade, é reconhecer todas as fraquezas do outro e também estar disposta a ajudá-lo a superar sempre.

Ainda tenho muito a aprender sobre amor, ainda estou longe de colocar em prática tudo aquilo que aprendi até hoje, mas de uma coisa eu tenho certeza. Estou disposta a praticar ao lado da pessoa que torna meus dias mais alegres e que me ama não somente com palavras românticas, mas com atitudes diárias. Viva nossas bodas de açúcar, porque a vida é mais doce quando amamos de verdade.

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