Meus pecados pequeninos

A misericórdia é melhor que a autojustiça.

A frase “quem nunca pecou que atire a primeira pedra” até hoje ecoa em nossos ouvidos. Mas geralmente fazemos ouvido de mercador mesmo ou, pior ainda, preferimos pensar que nosso pequeno pecado não é nada se comparado ao Pecado, com “P maiúsculo” que outras pessoas praticam por aí. Mas hierarquizar pecado não é algo novo. Num cenário onde o adultério era punido com a morte, Jesus afirma que adultera, tão simplesmente, aquele que desejar uma mulher.

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu digo: Qualquer que olhar para uma mulher e desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.” (Mt 5:27-28)

Com essa afirmação Jesus levou a sociedade da época a refletir se seriam mesmo os pecados visíveis piores que os pecados invisíveis. O adultério é um pecado explicito, bem como o assassinato, seriam eles por isso pior que o desejo sexual impuro ou a ira?

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo.” (Mt 5:21-22)

Não me interpretem erroneamente, não estou aqui falando a respeito de consequências de pecado. É claro que os efeitos de um assassinato ou de um adultério físico são bem mais agressivos, mas estou falando principalmente sobre a hipocrisia que muitas vezes ronda nosso coração, de ser tão ávido para julgar os outros e tão cegos para fazer uma análise de nossos erros. Em outras palavras, geralmente não avaliamos os outros da mesma forma que avaliamos a nós. A medida costuma ser mais branda para nós mesmos, pois vamos justificar, dizer que tínhamos esse ou aquele motivo para agir de determinada forma, mas quanto ao outro, ah… esse poderia ter feito diferente.

Podem até dizer, ah que papo chato esse de pecado pô… e é chato mesmo, mas é relevante pensar sobre isso, tendo em vista que é esse mesmo pecado chato que nos afasta de Deus, das pessoas que amamos e até de nós mesmos. Nossa dificuldade de autoavaliação nos faz cometer sempre os mesmos erros, ferir sempre as mesmas pessoas e ainda questionar sobre o erro do outro: Meu Deus!!! Mas como ele pode fazer isso??? Nem parece ser cristão…

O que precisamos mesmo é aplicar mais do nosso tempo a rever nossas próprias ações, atitudes, pensamentos e sentimentos e menos tempo avaliando o outro. Às vezes, o fato de procurar pecado e erro no que o outro faz é uma forma de evitar pensar acerca de nossos próprios. Sabe?! É tipo como se o tamanho do erro do outro justificasse nossa pequena falha, ou biblicamente falando, concentrar nossos esforços observando o argueiro no olho do irmão nos faz tirar do foco a trave que temos em nosso olho.

Em um casamento as pessoas costumam dizer que perdoariam tudo, menos o adultério (confesso que disse isso muitas vezes), mas a falta de perdão é tão nociva para um relacionamento quanto o adultério, por exemplo. A amargura de coração, que é um estágio mais avançado da falta de perdão, corroí e destrói qualquer casamento, e mesmo um coração arrependido de um esposo (a) que traiu não é suficiente para aplacar a sede de justiça própria. Quanto mais altas forem nossas expectativas de perfeição em relação ao outro, (e entre os cristãos é muito fácil querer exigir um nível de santidade absoluto) mais predispostos ao julgamento precipitado e a falta de perdão estaremos. A autocomiseração é tão prejudicial quanto a ofensa; o egoísmo é tão letal quanto a sede de justiça própria; a murmuração é tão destruidora quanto a inveja; o desejo sexual impuro é tão ofensivo quanto o adultério,  e por aí vai.

A intenção desse post não é que você fique se condenando por seus pecados, mas que você pare de condenar os outros pelos deles; é que você possa refletir que fazer uma avaliação apurada de si mesmo e estar disposto a consertar suas falhas é bem mais proveitoso que ficar tentando consertar as falhas dos outros, é saber que o Cristo que perdoou os meus pecados, é exatamente o mesmo que perdoou os teus, e que a misericórdia é melhor que a autojustiça.

Foto: Giuseppe

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