Porque não queremos migalhas de relacionamentos

saudades

É, você não precisa ficar por aí lamentando os retalhos da sua coleção de relacionamentos mal-sucedidos. Migalhas não matam fome. Não precisa choramingar pelos cantos as péssimas colheitas de um convívio ingrato envelhecido. Deixa disso!

Esquece esse cara aí, passou. Faça questão de não se lembrar dessa menina. Vá procurar um novo corpo para encostar o pé gelado. Vá dividir a vida com quem quer dividir um caldo de cana num dia ensolado. Não acredite neles que nos roubam o direito de crer que o amor ainda acontece nas vielas do acaso na vida.

Todo mundo sabe que relacionamento sempre será brincar entre o fogo e o gelo. Isso jamais mudará. Basta envolver-se com alguém para saber que toda aquela conexão pode se tornar um grande acontecimento em nossas vidas ou potencialmente acabar em um lugar embaraçoso e inóspito. É uma aposta.

Apesar disso, mesmo correndo esse risco, a gente continua tentando… Por quê? Bem, porque a gente não nasceu para amar pessoas perfeitas. Que dirá aquelas que idealizamos em nossas mentes.

Tenho a impressão de que o mundo do amor tornou-se bastante bipartido. De um lado, aqueles que tentam o tornar semelhante ao romantismo brega e ultrapassado das novelas Shekesperianas, e no outro sentido, os que afirmam que ele não passa de uma grande bobagem para os inocentes.

Por um lado, a recorrente ideia de que a felicidade bate a porta para anunciar apenas àqueles que encontraram o tão sonhado relacionamento estável, seguro, maduro e livre  tem nos feito infantilizar nossas relações. Estamos atrás de sombras.  Vemos o tempo todo nas nossas Tv smarts, nossos celulares de última geração e até nas séries e novelas que somos viciamos, os amores que um dia queríamos ter.

De um modo geral, creio que a descrença no amor é por conta dessa distância entre a expectativa frustrante e inalcançável das idealizações e a realidade concreta, natural e tangível da vida. Isso, de alguma maneira, está nos empurrando rapidamente para esse lamaçal emocional quase que sem volta.

Queremos apenas ideais e conseguimos migalhas

Temos procurado as mulheres e suas barriguinha negativas que resumem seus longos dias entre dietas de momento e a quantidade de exercícios cada vez mais filmados, fotografados e expostos em suas contas no Instagram. Estamos atrás de um cara que seja nem tão grosso, nem tão meigo, nem tão alto, nem tão baixo, nem tão loiro, nem tão moreno, mas que seja amigável, generoso, altruísta e estável. Estamos atrás de um perfil fake. Estamos atrás dos homens e mulheres que não existem fora da vida virtual.

É por isso que passamos tanto tempo reclamando dos “ex”. É como um esporte moderno. Com isso, deixamos de  investir tempo suficiente conhecendo pessoas que podem nos fazer bem.  Será que não é um pouco loucura deixarmos de viver o hoje?

O mito do “cara certo” é velho. Se não te contaram, você precisa saber: Ele não existe. E sabe por quê? Porque gente de verdade é gente errada.  As pessoas ideais não estão ao nosso alcance porque elas mesmos estão iludidas a respeito delas. Entende como é complexo procurar algo que idealizamos?

Não seja o cachorrinho à beira da mesa, na esperança de que migalhas caiam no chão para matar sua vontade de alimentar-se. Não espere ser bajulado, conquistada, adulado, agradada e prefira ir atrás de pessoas que você possa investir sua vida inteira por ela. O tempo de amar nunca vence. Gente que procura amor para vivenciar experiências concretas não fica atrás de migalhas..

Este texto faz parte do projeto Casal do Blog