Quando a saudade encontrar seu fim

Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: “Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou”.
Apocalipse 21:3,4

Todo crente que caminha com o Senhor há algum tempo tem uma coleção de amigos distantes. Umas são grandes, outras pequenas. A vida de acampamentos e congressos faz a gente deixar um pedacinho em diferentes lugares e guardar alguns outros com a gente.

Hoje tive a oportunidade de rever um dos meus. Natália, minha amiga capixaba, veio passar alguns dias em Natal. Quando nos vimos foi aquele clichêzão mesmo: como se nada estivesse mudado, apesar dos tão longos anos passados.

Nossos vínculos de amizade, por causa da fé em Cristo, são transformados. Quando fazemos amigos de verdade dentro da comunidade da fé, os contornos são mais vivos. Nossas relações são muito mais profundas porque o que compartilhamos transcende o emocional. Há uma ligação espiritual que nos une como família de Deus.

Portanto, uma vez que além de amigos, somos irmãos, as coisas são diferentes. Os vínculos de amor que parecem mais fortes justamente porque o são. De fato, há algo místico e real que une o povo de Deus.

Fora isso, quanto mais caminhamos com Cristo, mais nos parecemos com ele. Portanto, mais nossos afetos são desenvolvidos, mais misericórdia temos e mais amorosos nos tornamos, o que facilita a criação e a manutenção das amizades.

O problema é que a vida passa. Aparecem várias Natálias. O emprego ou casamento nos levam pra longe. Filhos tomam nosso tempo. Os projetos de vida levam a caminhos separados. A dinâmica da convivência muda drasticamente dando lugar a grandes abismos de distanciamento.

Pior ainda, por vezes nosso último inimigo ainda prevalece. Grandes amigos são levados pela morte. De uma forma ou de outra, somos arrancados uns dos outros.

Mas como Deus é bom! Rever minha amiga trouxe consigo um presente de Deus. A dor de ter que me despedir de alguém tão querido sem a certeza de um reencontro trouxe à minha memória o céu.

As poucas horas que gastamos juntos desfrutando da irmandade que Cristo comprou são uma antessala do paraíso. O que conforta o coração é saber que nossos amigos que hoje estão longe, logo, logo, estarão conosco, reunidos num único povo.

Naquele dia, Cristo será tudo em todos. A festa não precisa ter hora pra acabar. A gente não precisa ficar separado, seja por distância, seja por morte. Vamos ter todo o tempo do mundo pra estar com nossos preciosos amigos fazendo o que há de melhor pra se fazer: adorar a beleza de Cristo Jesus.

Natália está indo embora amanhã. Não sei se nos veremos de novo deste lado da existência. Mas sei que nos veremos novamente. De uma forma ou de outra, estaremos reunidos. E lá, não vão existir lágrimas de saudade. Elas já terão sido enxutas. Lá, vai ser festa, sobre festa, sobre festa irrompendo em alegria eterna.

Uma eternidade de reencontros para que nunca mais estejamos separados. Saudade? Não, obrigado.