Sabe por que eu te amo?

Você só acerta duas vezes na vida: Quando escolhe amar e quando aceita o amor de alguém. Outro dia, me disseram: “Depois que você começou a amar, nunca mais escreveu sobre amor”. Retruquei dizendo: “Desculpe, mas dizem que os românticos são sempre mal interpretados.”

Bom, pelo menos acho que amar é não ser compreendido pelo resto das pessoas. Não estou dizendo que os solteiros não tem o seu valor, mas eles normalmente não costumam dar créditos aos amantes, amados e amáveis. Confesso que até os entendo. A gente que ama tem mania de sentir-se privilegiado mesmo. Chegamos até a viver a vida  como se fossemos mais contentes. ”É fogo de palha”, eles nos acusam. No entanto, amar exige o risco de ser descreditado.

Eu só tive um grande amor de verdade na vida. Não é grande pelo tamanho, mas pelo que cochichamos nos ouvidos um do outro. Eu compartilho as pequenas palavras, e elas vão saindo aos poucos do trampolim da ponta da língua e caindo suavemente nos ouvidos dela. Você sabe como é isso? Amar é experimentar muitas sensações. Não há intimidade maior que o silêncio. Somente quando faltam as palavras é que sentimos não precisar delas. Estar nesse ponto com alguém é a melhor sensação que qualquer um poderia experimentar.

Não tem como negar que amar é a melhor droga que deveríamos experimentar. Vicia e faz da gente alguém novo. Amar é se renovar a cada dia, ou seja, não viver o mesmo sempre. Tenho muita dificuldade em entender porque para alguns amor e sofrimento tem o mesmo gosto.

Não enxergo amor onde existe condições, onde tem egoísmo, onde tem indiferença. Poxa, todo dia tem gente dizendo isso, mas mesmo assim a gente não aprende. É claro que às vezes amar exige coisas como: “Eu estava errado, me desculpe”. Renunciar é gostar demais para querer que sua vontade não se sobressaia àquilo que os olhos do outro pede sem falar. Sei bem que alguns não sabem disso, mas é exatamente aí que ficaríamos impedidos de praticar essa virtude?

Sei que o rosto de alguns se contorce ao ler isso e suas cabeças pensativas dirão: “Ah, amar é impossível!” Claro que é, mas é isso que faz valer a pena! É quase um milagre. É exatamente isso que nos salva dos momentos sem força.

Amar é batalhar sem esperança. Amar é sujeitar-se um ao outro. Amar é não ver fim no começo. Amar é suspirar sem controle. Amar é doar, sempre. O amor é um adolescente insurreto que briga incansavelmente por não parar de pensar.

A deselegância do amor esbarra na prateleira das formalidades do mundo. Não tem hora certa. Não tem lugar apropriado. Ele simplesmente vem sem avisar. Alimenta-se sem que seja oferecido. Bate na porta na hora mais tranquila.

O músculo do amor desfalece, mas não rompe. Ele, às vezes, cansa, mas logo se recupera. Descansar no amor gera vida, traz verdade, vitalidade e renovação. A vontade de praticá-lo é o analgésico para a dura realidade humana. O amor deve ser prioridade entre os que tem coração vivo.

O amor é inclassificável. Não tem como definir. Não leva nenhum nome consigo. Ele bate o olho e diz: “Parece que te conheço de algum lugar”, “Você não me é estranho, sabia?”. Não podemos ter amor rotulado. Não podemos colocar apelidos para ele. Tem que ser indefinível e sem endereço. Tem que ser livre.

O amor fica lá em cima, na última prateleira, aonde ninguém quer pegar. Ou você cresce para alcançar ou pede para outro pegar pra ti. Sinto-me como se não precisasse me comprometer em ser feliz, descobri que felicidade programada é bobeira. Não há pressa. Tenho o amor e a ela, e isso basta. Eu amo até que não possa mais pensar nisso. O amor é uma verdade e isso não é novidade. O mundo não está preparado para ouvir isso. O mundo não está pronto, para nisso, insistir. Mas nós… nós vamos com tudo!

Este texto faz parte do acervo do CASAL DO BLOG. Curta!