A sabedoria do toque

Existe um movimento crescente de jovens que tem se interessado cada vez mais pelo estudo do pensamento, pela filosofia, pela teologia e pelos debates a respeito das mais diversas ideologias figuradas desde o cenário politico até os contextos religiosos. E isso é muito bom. Não à toa estamos assistindo, o que em outras épocas seria raro, o fenômeno de alguns pensadores dos nossos dias, aparecendo quase que diariamente na televisão, ganhando também espaços consideráveis nas rádios, lotando auditórios e emplacando seus livros entre o Best Sellers das principais livrarias do país.



É a chamada “era da informação”. Todo mundo permanentemente conectado, sabendo tudo o que acontece no mundo inteiro em questão de segundos. Assuntos cada vez mais complexos na boca de pessoas com cada vez menos idade. Fato também observado dentro das igrejas, onde jovens e adolescentes tem dedicado tempo para a busca do conhecimento teórico e de um possível retorno à tradição e aos ritos litúrgicos, antes vistos como antiquados e ultrapassados. Tudo muito interessante e bom.

Mas e o toque?

Gastar tempo pra gerar conhecimento é imprescindível, mas e o investimento no ensino a respeito da necessidade dos relacionamentos? Temos de atentar, o mais rápido possível, para o fato de estarmos caminhando a passos largos na direção da impessoalidade. A palavra “discípulo” tem perdido o espaço nos encontros e na boca de quem fomenta o interesse do “novo” nos mais jovens. Temos de lembrar que sabedoria não é igual a conhecimento, que por sua vez é diferente de informação. Nossa mente está cada vez mais informada, mas agrega bem menos conhecimento do que se imagina.

Encarando o retrato da atualidade, vemos que hoje o domínio e o conhecimento da tecnologia estão cada vez mais nas mãos dos mais novos e isso tem feito com que estes desprezem a sabedoria dos mais velhos. Precisamos, pra ontem, criar pontes que conectem gerações. Fazer com que, através das escrituras e dos encontros pessoais, a soberba deste conhecimento frio seja transformada em uma inteligência capaz de lavar pés descalços.



Lembrar sempre que pessoas são mais importantes do que coisas.

“Venha pra cá o mais rápido que puder (…) Não esqueça o agasalho que deixei em Trôade (…) Traga também livros e pergaminhos”, foi o pedido de uma amigo a outro em 2 Timóteo 4.9-13 (versão A mensagem). Em outras palavras Paulo diz pra Timóteo: “Corre! Preciso estar com você”. A caminhada cristã é trilhada na conjugação dos plurais. Somos a imagem e semelhança de um Deus que é uma comunidade plural e perfeita.

Será que nos falta tempo ou disposição para os “cafés” espirituais? Ou para as “conversas” espirituais? O que diríamos então dos “abraços” e “sorrisos” espirituais? Afinal de contas só conseguimos enxergar e experimentar tudo isso, estando frente a frente uns com os outros.

É fato que, como disse John Stott: “Crer é também pensar”, mas que nosso pensar não impeça o nosso “servir”, nem o nosso “calar” em favor de, ou tampouco o nosso “tocar”. Seja o Senhor o cabeça do corpo que ama antes de julgar, que abraça antes de exortar e que toca, seja lá quem for.

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