Você não precisa ter um apartamento para se casar (e outras dicas)

Chega uma fase da vida da gente em que começamos a participar de muitos casamentos. Isso está ligado à idade, número de amigos, cosmovisão da galera da qual faz parte etc. Hoje creio estar terminando essa fase, ainda que tenha alguns amigos mais próximos que estão com casamento marcado ou simplesmente encontram-se de boa em relação a isso.

Por ter passado recentemente por essa fase e, em muitos dos casos, ter o privilégio de ser padrinho de casamento de amigos queridos, vez ou outra sou procurado por esses ‘afilhados’ para falar sobre as dificuldades do cotidiano da vida a dois. Vários desse já pensaram diversas vezes sobre o divórcio e alguns o concretizaram; o que sempre é motivo de profunda angústia para mim.

Dias desses, cheguei até a pensar que o azarado da vez era eu. Fiquei imaginando que, se eu não tivesse sido padrinho ou mesmo convidado para esses casamentos, talvez tivessem dado certo. Aí desabafei sobre isso com a minha esposa, que é definitivamente a pessoa com a maior e melhor memória do mundo. Ela puxou na lembrança e contabilizou todos os casamentos que fomos juntos e rapidamente me deu uma porcentagem dos que terminaram e também dos que se encontram estáveis. Isso me tranquilizou. A minoria da minoria não tinha vingado.

No entanto, ficar aliviado com isso não é o suficiente. Basta um olhar superficial para os relacionamentos ao nosso redor para observar que definitivamente eles não vão bem, e isso ocorre pelos mais variados motivos. Comecei a pensar sobre  as características do meu relacionamento que me fizeram chegar à conclusão que deu certo.

É quase desnecessário pontuar algumas coisas antes. Por força do quase, lá vai: não me considero o dono do relacionamento perfeito; nem de longe quero ser absoluto quanto a essas dicas; não posso garantir que, aplicando isto ao seu dia a dia, você será o suprassumo da felicidade. No entanto, quero compartilhar o que tem dado certo comigo, com alguns casais com os quais convivo e espero que lhe ajude de alguma maneira. Vamos lá!

Dar a atenção adequada para a parte financeira

Os jovens namorados e noivos de hoje querem comprar apartamento, financiar um carro e ter estabilidade financeira o quanto antes. Querem casar já tendo o que seus pais demoraram cerca de 10 ou 20 anos para conquistar. Não quero incentivar ninguém a ser negligente com a vida financeira, mas sim dizer que essa é só uma parte do que significa casamento. Se os dois souberem dar a atenção adequada a essa parte, o casamento jamais terá problema por conta de dinheiro.

Acredite: em todos os casamentos que vejo capengando ou que já acabaram a minha volta, o casal tinha casa/apartamento próprio; alguns deles, carro do ano, bons empregos e ainda assim deu tudo errado. Ah, meus queridos! Como o conselho bíblico é sábio: “É melhor comer um pedaço de pão com água em paz do que ter um banquete no meio de brigas.” (Provérbios 17:1 – A Mensagem)

Ser membro de uma boa igreja

Teve um tempo da minha vida que eu achava tudo bem os casais serem sozinhos, andarem isolados etc., mesmo não conseguindo aplicar isso na minha vida. No entanto, com o número crescente de igrejas reunindo-se em células e/ou pequenos grupos, que muitas vezes são segmentados para que casais relacionem-se com casais, é claro que esse tipo de encontro é de importância fundamental para um relacionamento saudável.

Além disso, quando frequentamos uma igreja com líderes sábios e humanos, é mais fácil abrir-se e ser aconselhado a qualquer momento. Casal que se isola e que enfrenta os problemas sozinho possui mais probabilidades de não vencê-los.

Para finalizar esse tópico, normalmente quando o casal está integrado a uma boa igreja, é quase certo que estarão naquilo que chamamos de “um bom relacionamento com Deus”. Assim, é claro que, se há um relacionamento de sucesso na vertical, há também relacionamentos de sucesso na horizontal.

Solucionar ao máximo os conflitos

A vida a dois é maravilhosa, mas também não é nada fácil. Quem só está noivo ou namorando não faz ideia dos problemas e contingências que atingem a vida de um casal. No entanto, a solução de todos os conflitos tem se mostrado como um dos principais segredos para um relacionamento a dois.

Isso significa que ninguém pode esconder nada de ninguém, muitos menos os sentimentos. Se sentiu raiva, ciúme, mágoas, decepção, frustração: diga ao outro. Diga e conversem a respeito. Solucionem os conflitos. Se não conseguirem, não se sintam acanhados a pedir ajuda a líderes de célula, ministros, pastores ou até mesmo psicólogos e terapeutas.

Homens tendem mais a detestar as DRs, mas são eles que, na maioria dos casos, devem tomar a iniciativa e conduzir uma DR que culmine em uma resolução.

Conservar a identidade bíblica do casal

Aqui chegamos em um tópico complicado de se falar nos tempos atuais. Falar do papel do homem e da mulher gera nos ouvidos e mentes mais sensíveis a sensação de que a mulher deve ser sempre subserviente ao homem, que é o rei da casa e deve ser servido e adorado. Se você tem essa visão da Bíblia como livro machista, sexista etc, convido-o(a) respeitosamente a parar de ler este texto agora e partir para outro post do blog.

A grande verdade é que um casamento que dá certo aos olhos do Pai sempre será formado por um homem e uma mulher que assumem sua identidade a partir do que a Bíblia apresenta. Isso significa que o homem deve assumir as suas responsabilidades como provedor da casa, pastorear o lar, suprir a sua mulher em tudo , educar os filhos e amar sua família acima da igreja, do trabalho, dos pais etc. À mulher cabe fazer tudo isso ao lado do marido, também tendo Deus em primeiro lugar na sua escala de prioridades; em seguida, o marido, depois, os filhos e assim por diante.

A maior crise dos casamentos vista dentro das igrejas advém justamente da falta de empenho e hombridade por parte dos maridos, que acabam por jogar todo o peso de responsabilidade da família e da casa nas costas das mulheres. É fato que a maioria das mulheres consegue absorver esse peso, porque têm fibra e fé; no entanto, trata-se de uma carga extra e desnecessária que no fim gera pessoas sobrecarregadas, culpadas e frustradas, bem como, em termos práticos, lares desestruturados, filhos rebeldes, doenças, estresse etc. Tudo isso acontece porque o marido jamais assumiu as rédeas da situação.

Encerro este texto ressaltando que o que faz o casal é a capacidade de ambos se sentirem amados por Deus e amarem com esse mesmo amor que recebem do Pai. O ser humano por si só não é capaz de gerar um amor que se anula, que se entrega, que prefere dar honra ao invés de receber. Esse é o amor que é gerado em Deus e só Nele podemos alcançar plenitude nos relacionamentos.